LUAR PARA HOJE



Você está ficando a doer de prazer,
Vovó, bomboca, flor a encurrilhar,
Boneca de trapo de outrora brincar,
Lágrima nascente no tempo a morrer.

Do caule verdinho ao tronco de ser
Árvore pelo sol fugindo ao outono,
Porque as folhas caem, gritam abandono,
Você sonha fruir o que não quer ver.

Não tema e vergue, deixe acontecer,
Faça como eu, que vejo e já ceguei,
Ou não faça, desfaça para simular

Que a vida parou sem anoitecer,
Pela madrugada, como o astro rei
Que quando revolta ainda há luar...

António Torre da Guia

Som = One moment in time